A Paisagem Protegida do Corno de Bico é um pequeno santuário natural situado no limíte administrativo Sudeste do concelho de Paredes de Coura. Confronta com os Arcos de Valdevez e Ponte de Lima, respectivamente. Abrange, total ou parcialmente, as freguesias de Bico, Castanheira, Cristelo, Parada e Vascões, numa área de 2.175 ha, dos quais 25% são matas formadas por carvalhos e outras folhosas. A frondosa mata de carvalhos de diferentes espécies foi plantada a partir dos anos 40 do século XX, integrando as manchas autóctones existentes. As espécies raras, dorovante mais protegidas, puderam melhor desenvolver-se. Mais visíveis do que outras, os vastos conjuntos de azevinhos, espécie protegida por lei, destacam-se na mata.
A Paisagem é um testemunho da cultura minhota num espaço de rara beleza natural, que o Homem intervencionou e moldou de uma forma harmoniosa e simples.
O branco e o cinzento granítico das aldeias e lugares, harmoniosamente integrado na paisagem, contrasta com os variados tons de verde, pelas encostas em socalcos, bordejados por finas sebes de arbustos, que se estendem até aos ribeiros de águas transparentes.
Com efeito, a presença do Homem nestas paragens remonta ao Neolítico, e substituem ainda nos montes do Corno de Bico e na Chã de Lamas vestígios de algumas mamoas ou monumentos funerários datados de há 5.000 anos. Em Cristelo, no Castro de S. Sebastião, achados arqueológicos como machados de talão, vasilhas para armazenamento e confecção de alimentos, tégula e tijolos revelam uma importante estação romana. Já de um período posterior, correspondente aos séculos XVII, XVIII e XIX são as diversas igrejas e capelas existentes que, para além de serem um marco da religiosidade popular deste povo, são igualmente interessantes formas de expressão artística, nomeadamente do período Barroco.
Do património arquitectónico profano, destacam-se algumas casas senhoriais e um grande conjunto de estruturas de suporte da agricultura que foi, até meados do século XX a mais importante actividade económica deste município. O milho era então o suporte de uma economia marcadamente agrícola e a certificá-lo está um elevado número de moinhos e engenhos hidráulicos, poças e levadas, caminhos sulcados pelos carros de bois piscos que, em Setembro e Outubro, enchiam de milho as eiras e os espigueiros ou os caniços.
Para além do milho, do feijão e da batata produzia-se o linho que as mulheres ripavam, espadelavam, teciam e bordavam meticulosamente, ao som da concertina, do acordeão e das cantigas populares que entoavam pelos vales, dando forma a belíssimos trabalhos artesanais e corpo a um comunitarismo que tende a desaparecer.