A presença humana no território que corresponde ao actual concelho de Paredes de Coura - área geograficamente coincidente com a bacia superior do Rio Coura - remonta ao Paleolítico, primeiro e mais longo período da Pré-História. Milhares de anos mais tarde, no Neolítico, opera-se uma alteração irreversível no modo de vida das comunidades humanas, por via das transformações registadas a nível económico e social: o homem passa de nómada a sedentário, prendendo-se à terra da qual depende.
Tradicionalmente difundido pela técnica de polimento dos utensílios de pedra, o Neolítico é, acima de tudo, caracterizado pela emergência de uma economia baseada na agricultura e na pastorícia, com reflexos no domínio tecnológico e social. O arroteamento dos campos para a agricultura passa a exigir novos instrumentos, como machados, enxós (ambos fixados a um cabo de madeira), goivas, lâminas de sílex, razoavelmente difundidos na bacia superior do Coura.
A vida organiza-se em aldeias, predominantemente situados em regiões férteis. A terra passa a estar no centro de um novo universo sagrado. As preocupações com o Além e a demarcação física e simbólica dos territórios explorados por cada comunidade manifestam-se na construção de antas - monumentos funerários colectivos compostos por grandes lages de pedra e cobertos por uma mamoa, que constituem o fenómeno cultural designado por Megalitismo. As principais concentrações registam-se na Serra de Bico (Antela da Cruz Vermelha), em Chã de Lamas (Vascões), na Serra da Boualhosa (Insalde) e em Porreiras.
Do Neolítico Final/Calcolítico e Calcolítico/Idade do Bronze as duas manifestações artísticas de primordial importância no contexto da arte pré e proto-histórica nacional: A Estela Insculturada da Boualhosa e a Estela Menir da Boualhosa, ambas encontradas na freguesia de Insalde.
A Idade do Bronze (finais do 3.º milénio ao século VIII a.C), caracteriza-se pela diversificação dos instrumentos, resultante do aperfeiçoamento das técnicas metalúrgicas, e por uma acentuada transformação social. Os vestígios de ocupação deste período são escassos na bacia superior do Rio Coura. Contudo, embora não se possa apontar, com alguma certeza, a existência de qualquer povoado (o Alto da Coguluda, em Insalde, apresenta fortes porssibilidades de ter sido ocupado nesta altura), conhecem-se alguns instrumentos característicos desta época, nomeadamente catorze machados de bronze - oito encontrados no monte do Castelo, em Formariz, três na base do monte de S. Sebastião, em Cristelo, e três no Alto da Coguluda, de dois anéis, sem qualquer vestígio de uso, e evidenciam, muito provavelmente, um fabrico regional.
O domínio da metalurgia do ferro deu início a uma nova fase (Idade do Ferro, 900 a.C. à 2.º metade do séc I d.C) que virá a introduzir transformações no mundo mediterrênico e europeu, proporcionando uma superioridade técnica que conduzirá a consideráveis modificações no comportamento social.
Na bacia superior do Rio Coura, tal como em grande parte do noroeste peninsular, a expressão cultural mais significativa deste período caracteriza-se pela emergência de um povoamento organizado em habitats fortificados - os chamados castros -, implantados em relevos proeminentes, com boas condições de defesa e visibilidade. Intervenções arqueológicas efectuadas em povoados fortificados de Cossourado, Romarigães e Cristelo (no concelho de Paredes de Coura estão inventariados mais treze sítios arqueológicos desta época) colocaram à superfície construções habitacionais, de serviços e de defesa edificados por sociedades de características agro-pastorais, mas também economicamente dependentes da exploração de recursos naturais. A cultura material que delas chegou até nós apresenta-se relativamente homogénea, predominando os artefactos e utensílios de pedra (tríscele de Favais) e cerâmica. Os metais - maioritariamente bronze - são escassos e surgem quase sempre associados a objectos de ornamentação pessoal e de prestígio (fíbulas, braceletes, pendentes, alfinetes de toucado, punhais).
Com a chegada dos exércitos romanos à região, no século I a.C., as vias de comunicação rapidamente se estendem a toda a península, formando uma intensa rede por onde circulam exércitos, mercadorias, impostos e um novo modelo de vida. É o caso da 19ª Via do Itenerário Antonino ou XIX Via Militar Romana que, atravessando as freguesias de Romarigães, S. Martinho e Rubiães, ligava as cidades de Bracara Augusta (Braga) e Asturica Augusta (Astorga). Dela nos restam importantes legados, dezasseis miliários, colunas cilíndricas de granito que, colocadas à margem da via, indicavam, entre outros elementos, a distância em milhas em relação à cidade de Braga