Tradição de um povo que, desde os primórdios, trabalhou a terra e modificou a paisagem de acordo com as suas necessidades.
Produziu utensílios e alfaias, adaptou e criou técnicas de mobilização da terra, construiu "canastros" (espigueiros) para armazenamento e secagem dos cereais, construiu moinhos para a sua transformação em farinha, para à confecção dos alimentos.
O milho, desde a expansão marítima e a sua introdução nos hábitos alimentares da população de Portugal Continental, tem em Paredes de Coura o habitat agrícola por excelência, tendo em torno deste cereal sido criada toda uma gastronomia especifica (o bolo do tacho, a broa, a bola de carnes ou sardinha) bem como um conjunto de edifícios de armazenamento e de transformação. Paredes de Coura conta com mais de centena e meia de moinhos e um incontável número de espigueiros, em madeira, pedra cimento e tijolo. Associado ao abandono da agricultura, verifica-se o abandono progressivo deste património, estando em curso alguns projectos de recuperação de alguns núcleos mais significativos, dos quais salientamos a recuperação da Eira e Canastros de Porreiras, já concluído, e o estudo da recuperação do núcleo de moinhos de Cavaleiros.
Essa importância manifestou-se na designação de "Celeiro do Minho", atribuída no reinado de D. João IV, durante a Guerra da Restauração.
O linho, foi durante séculos, uma das maiores produções da região. Aqui e além, subsiste um e outro engenho abandonado e, não frequente, em avançado estado de degradação.
Associado ao rude e árduo trabalho rural, o folclore, um peportório de cantigas e danças, enaltecendo a alegria de viver, a dureza do trabalho, os amores e desamores de donzelas e mancebos, uma elegia à Terra. O belo e rico fato negro cravejado laboriosamente a vidrilho, coroa com dignidade todas as tradições deste Mundo que tende a desaparecer.